O Tantra Instintivo
E se tudo fosse brisa...
cada movimento casasse, tivesse seu próprio cabimento, caísse gentilmente, pairando aos ventos do outro e próximo.
E se tudo fosse brasa...
cada toque aquecesse, ateasse sua própria ardência, aderisse à pele, provando as bocas em desejo arfante.
Assim um pouco de liberdade é degustada a olhos fechados, passada por contato osmótico das peles úmidas, membros se movendo como movimentos -- instintivos e convergentes, sem lamentos -- e a paixão torrencial que não cabe no tórax causa turbulências visíveis, que mesmo assim não importam para as bocas que salivam para saborear o sumo de sua transcendência criminosa.
E se o tantra instintivo é inserido a ritmos lentos na massa de corpos, a louvável peça instransigente do tesão é transferida de gesto em gesto, na energia que nunca é gasta. Em toda a graça dos gestos que giram em torno na liberdade, as gotas de luxúria escorrem e fazem os desejos correrem à ocasião de sua realização.
Ao compasso desta sinfonia cacofônica de sensações, mais um passo é dado rumo à libertação.
Um crime notável que não será flagrado.
Um feito louvável que não será notado.