1 post tagged “caoísmo”
(...)
quero cada muda plantada
frutificando em canções sem fim.
ali e aí?
minhas estrelas fugiram
pra qualquer lugar no mundo
um buraco bem fundo
onde eu não posso achar.
mas no mundo esburacado qualquer beleza é um achado.
há pesares, apesar de tudo:
há machões com seus machados
nos machucam e os comuns não se chocam
mesmo assim, a alegria não mingua
escute Charles Mingus
entende pela música...
aquele elo livre que lava a alma
no compasso da compaixão
apaixonadamente
mente quem não sente.
queria poder morar
no teu mundo
meu mundo
de poesia
orgia
orgasmos
espasmos
de palavras.
pode morar e namorar
ir a fundo em seu mundo
em desejos, de poemas eu abundo
e em toda poesia há magia
palavras livres sempre deixaram alguns pasmos
são orgias da linguagem
são orgasmos de mensagem
queria, por hora
viver de poesia:
comer devaneios ao pesto
beber cuba-palavras
achar um colo quente entre metáforas.
queria viver de caçar estrelas
voando com borboletas
a cantar com tico-ticos.
mas.
quando foi que caí da nuvem do sonho distante
dei de frente com o chão
(duro feito a realidade!)
e acordei:
preciso trabalhar.
de fato, trabalhamos.
mas também bailamos
e te enganaste, pude ver:
a magia em sua poesia ainda age - e de forma ágil.
muito me agrada
prazer infinito
'ouvir' da voz sua
que minhas palavras remendadas agradam:
um novo prazer infinito
e infindável.
e no fim das contas:
me concede
me concebe
essa dança?
muito mais bonito
é ouvir a voz nua
grave e cheia como lua
vozes que vazam
desvendam sem vender
ventos que fazem ceder e conceder
uivam pelos cantos seus encantos
suas palavras já dançam.
queria tododia
poesia assim.
deliciosa
sincera
pura e menina.
isso é poesia que ensina
voz que nunca desafina
a menina da poesia
diz que quer pra todo dia
mas não diz com apatia
lê meus versos e os desfia - desafia
eu também queria assim
um belo poema sem fim
mais pra você do que pra mim... generoso
metade palhaço, metade escárnio.
metade erótico, metade pornográfico.
metade poesia, metade rima.
metade prosa, metade dissestação.
meu-eu inteiro tem mais meios que pedaços
e minhas duas faces da moeda...
ah, elas ficam do mesmo lado.
sou palhaço e escárnio-em-osso
o erotismo da erosão arranca raízes.
a minha pornografia é à caneta esferográfica:
minha escrita fotográfica.
e a prosa não tem prazo - se torna só prazer
toda a dissertação em uma única estação:
primavera.
... os dedos que escreveram ficaram com
gosto de "pegue mais um pedaço".
(poema-por-scrap, feito em dupla com lua. parte em meu scrapbook, parte no dela. incompleto, pois parte dele já havia sido deletada.)
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