7 posts tagged “poesia”
(...)
quero cada muda plantada
frutificando em canções sem fim.
ali e aí?
minhas estrelas fugiram
pra qualquer lugar no mundo
um buraco bem fundo
onde eu não posso achar.
mas no mundo esburacado qualquer beleza é um achado.
há pesares, apesar de tudo:
há machões com seus machados
nos machucam e os comuns não se chocam
mesmo assim, a alegria não mingua
escute Charles Mingus
entende pela música...
aquele elo livre que lava a alma
no compasso da compaixão
apaixonadamente
mente quem não sente.
queria poder morar
no teu mundo
meu mundo
de poesia
orgia
orgasmos
espasmos
de palavras.
pode morar e namorar
ir a fundo em seu mundo
em desejos, de poemas eu abundo
e em toda poesia há magia
palavras livres sempre deixaram alguns pasmos
são orgias da linguagem
são orgasmos de mensagem
queria, por hora
viver de poesia:
comer devaneios ao pesto
beber cuba-palavras
achar um colo quente entre metáforas.
queria viver de caçar estrelas
voando com borboletas
a cantar com tico-ticos.
mas.
quando foi que caí da nuvem do sonho distante
dei de frente com o chão
(duro feito a realidade!)
e acordei:
preciso trabalhar.
de fato, trabalhamos.
mas também bailamos
e te enganaste, pude ver:
a magia em sua poesia ainda age - e de forma ágil.
muito me agrada
prazer infinito
'ouvir' da voz sua
que minhas palavras remendadas agradam:
um novo prazer infinito
e infindável.
e no fim das contas:
me concede
me concebe
essa dança?
muito mais bonito
é ouvir a voz nua
grave e cheia como lua
vozes que vazam
desvendam sem vender
ventos que fazem ceder e conceder
uivam pelos cantos seus encantos
suas palavras já dançam.
queria tododia
poesia assim.
deliciosa
sincera
pura e menina.
isso é poesia que ensina
voz que nunca desafina
a menina da poesia
diz que quer pra todo dia
mas não diz com apatia
lê meus versos e os desfia - desafia
eu também queria assim
um belo poema sem fim
mais pra você do que pra mim... generoso
metade palhaço, metade escárnio.
metade erótico, metade pornográfico.
metade poesia, metade rima.
metade prosa, metade dissestação.
meu-eu inteiro tem mais meios que pedaços
e minhas duas faces da moeda...
ah, elas ficam do mesmo lado.
sou palhaço e escárnio-em-osso
o erotismo da erosão arranca raízes.
a minha pornografia é à caneta esferográfica:
minha escrita fotográfica.
e a prosa não tem prazo - se torna só prazer
toda a dissertação em uma única estação:
primavera.
... os dedos que escreveram ficaram com
gosto de "pegue mais um pedaço".
(poema-por-scrap, feito em dupla com lua. parte em meu scrapbook, parte no dela. incompleto, pois parte dele já havia sido deletada.)
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E se tudo fosse brisa...
cada movimento casasse, tivesse seu próprio cabimento, caísse gentilmente, pairando aos ventos do outro e próximo.
E se tudo fosse brasa...
cada toque aquecesse, ateasse sua própria ardência, aderisse à pele, provando as bocas em desejo arfante.
Assim um pouco de liberdade é degustada a olhos fechados, passada por contato osmótico das peles úmidas, membros se movendo como movimentos -- instintivos e convergentes, sem lamentos -- e a paixão torrencial que não cabe no tórax causa turbulências visíveis, que mesmo assim não importam para as bocas que salivam para saborear o sumo de sua transcendência criminosa.
E se o tantra instintivo é inserido a ritmos lentos na massa de corpos, a louvável peça instransigente do tesão é transferida de gesto em gesto, na energia que nunca é gasta. Em toda a graça dos gestos que giram em torno na liberdade, as gotas de luxúria escorrem e fazem os desejos correrem à ocasião de sua realização.
Ao compasso desta sinfonia cacofônica de sensações, mais um passo é dado rumo à libertação.
Um crime notável que não será flagrado.
Um feito louvável que não será notado.
O que a curiosidade faz é o que a façanha cura.
O que o escuro não traz?
O que a tragédia escancara?
Ao que se deforma a paz
daquele que escolhe sua tara.
Por fora não sou forma trágica-
-é dentro que trago as escaras.
Encaro com mágoa uma história;
estouro com água o olhar;
deságuo em olhos sem caras.
Mais cara das formas tragadas:
Informe sua mágoa e deságüe;
Deforme suas águas - se afogue;
Reforme sua paz e diga:
Quando a curiosidade traz e quanto a façanha dura?
-- Até que me tragam a cura.
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Preguiçosamente acordam. Cada movimento uma celebração inconsciente, um gozo sutil do viver imediatizado. A graciosidade longilínea de corpos flexíveis, movimentos transbordando de uma consciência desleixada. A falta de pretensão em permanente estado de alerta. A abundância da tradição caçadora/coletora, fazendo de sua própria subsistência uma brincadeira intensa, e a comemoração silenciosa da eficiência. Divertem-se antes e durante as refeições – piadas mudas sobre suas presas, carregadas de uma justez natural. Os banhos, o sol, o sono.
Finais de tarde sem hora para terminar. A falta de pressa que é a tradição caçadora/coletora, um agradável jogo de sustos e perseguições. Ágeis corridas não-competitivas, cheias de obstáculos desafiadores – explosões da energia não gasta, o excesso do viver da pós-sobrevivência. A individual ausência da idéia de EU. Todos são TUDO. NADA é nada. Uma coletividade forçada pela diplomacia primordial do grupo.
A verdadeira vida – noturna. Gentis caçadores caçando uns aos outros. A sensual agressividade luxuriosa, dando voltas, fazendo sons, invadindo noites mal-dormidas. Madrugadas de amores efêmeros, porém, sinceros – honestos. Paixões instintivas que nada prometem e nunca exigem abstrações absurdas. A descarga intensa de inclinações conscientes de sua própria falta de controle. Momentos de intimidade públicos, com a sensação de uma mordida na nuca.
Tudo é gratuidade, tudo é plenitude, tudo é graça. Uma autonomia baseada na indolência e na sedução que se aproveita de fetiches alheios.
Cada felino é
uma utopia viva, já realizada.
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Inconsciência consistente de
atos, com ciência apenas das sensações
.
Cumplicidade temporária
consentida traduz sorrisos audíveis e sussurros visuais
..
Jogos mentais de tácteis sensações aveludadas. Brincadeiras dos sentidos atiçando a mente.
Redes de conhecimento onde mestre
aprende com discípulo
.
Elos de comunalismo a dois – a
diplomacia cuidadosa das sutilezas sensitivas:
..
Mulheres como deusas de seu próprio panteão genético
Homens como imperadores de reinos moleculares
Equilíbrios fugazes dos encaixes
.
Mecânica precisa, mas de bailados suaves
Química perfeita, mas de
variações aleatórias
IxI
Apenas sensações com
ciência –
– atos consistentes de inconsciência
Sentidos sutis de cuidados diplomáticos
–
– elos de comunicação inaudíveis.
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Para amar, o Amor Armado não se entrega nem conquista – amantes como comparsas, beijos como atentados. Amor Armado não é armistício na guerra dos sexos; Mais que isso: o Amor Armado não se amarra a gêneros. Amor Armado foge das amenidades – tais armadilhas da aristocracia que amansam a paixão pelo que não cabe nas veias. Amor Armado é cor liberta do sangue e o sangue liberto da dor. Amor Armado é a insurgência sem rancor.
O Amor Armado não sai do armário por nunca ter se escondido lá. O Amor Armado não teme ser vermelho, mas prefere sensuais sombras acolhedoras. O Amor Armado não é mártir de qualquer marcha revolucionária – é seu esquecido maestro malicioso. O Amor Armado amanhece em mansidão inquieta, mantém sua sede insaciável, manejando artísticamente seu ardor amável – um amálgama de Ares e Afrodite.
Amor Armado nos desamarra das certezas na marra. Só o Amor Armado nos amamenta de ardor.
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Quando o descaso se diz caso e a verdade cai em desuso, a mentira se diz uso dos fatos que descasam. O teatro se diz casa da verdade.
A mentira é propagada pelas vozes da verdade.
A propaganda é mentida pelas vozes do teatro.
O espetáculo da especulação ensina a especular e calar.
O jogo cínico onde se experimenta sem provar.
Experimente duvidar.
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